quinta-feira, novembro 20, 2014

Três poemas de Hêzaro Viana Belo


Lágrimas 
A primeira gota caiu Nos primeiros instantes de vida Deixando o ventre materno Para as mãos de um médico Ao primeiro respirar
Quando ainda era uma criança O brinquedo quebrou, o maninho bateu, A saudade do colo da mãe
Pouco tempo depois um amor foi embora A decepção com o fracasso na escola Um filme romântico Uma música lenta São momentos nos quais sempre uma lágrima rola
E a maturidade não inibe a sensibilidade Na verdade a faz aflorar Um novo amor que chegou O anel que recebeu O dia do enlace com que sonhou
E novas gotas rolaram Molhando os braços que embalaram O pequeno fruto do amor
Lágrimas passadas, lágrimas sofridas Lágrimas de amor e emoção Purificaram a alma Fizeram bem ao coração
Lágrimas voltarão a rolar E contarão histórias vividas Um dia não mais existirão Pois Deus as enxugará Mas enquanto o coração pulsar Lágrimas farão parte da vida

Pedacinho do céu

Nossa casa,
Nosso ninho
Repleto de amor
E felicidade
Se estou dentro sou feliz
Feliz distante,
Mas com saudade
Nossa casa,
Nosso ninho
Lar
Quanta paz aqui sobre nós recai
Vinda de Deus
Paz que nos satisfaz
Nossa casa,
Nosso ninho
Um mundo de carinho
Onde podemos desfrutar
O melhor que Deus nos dá
Bênção mais doce que o mel
Nossa casa, nosso lar
Um pedacinho do céu



Porque tenho você
Para minha esposa Kelly Cristine Gusmão Belo
Porque tenho você Meu sorriso é mais largo Meus olhos brilham como nunca E meu coração salta de prazer
Porque tenho você Me sinto como criança destemida Meus temores desaparecem E meus sonhos podem se realizar
Porque tenho você Vejo beleza quando o dia está cinza Vejo calmaria mesmo enquanto a tempestade não se finda Vejo que o sol, vencendo as nuvens, vem me aquecer
Porque tenho você Eu creio em milagres Creio que o mar se abre Ou que sobre as águas eu poderei andar
Porque tenho você Sei que lágrimas fazem parte da vida E que após uma noite maldormida A alegria virá ao amanhecer
Porque tenho você Amo a fúria do mar A singeleza da flor E a brisa que e faz balançar
Porque tenho você Meus olhos veem o impossível E onde parecia não haver um caminho Agora juntos podemos caminhar
Porque tenho você Conheço o amor Vivo o amor
E na eternidade Sei que ainda vou lhe pertencer Porque tenho você

sábado, novembro 15, 2014

Novo livro de J.T.Parreira: No Máximo, Seis Versos - Poemas Breves, Bíblicos & Outros


De todas as chamadas nove artes, é na Poesia que mais justificadamente se pode asseverar que menos é mais. A concisão, a precisão do corte e do entalhe, só fazem amplificar o poder comunicante do texto, só podem elevá-lo.

       Nos versos aqui coligidos, versos irmanados pela brevidade, João Tomaz Parreira dá vazão ao seu caudal de metáforas condensadas, à tessitura precisa, que em seu rigor vezes lembra o Hermetismo italiano no que ele tinha de melhor, a explosão/maximização das cargas expressivas do poema ao nível microscópico. E em tal labor engendra a quase perfeição poética, como neste fulgurante A Tentação, onde o Cristo jejuante é tentado no deserto pelo Adversário, que lhe oferece as nações da terra:

Na ponta do precipício, no gume
do ar,  nos seus olhos Ele guardou
antes o azul do que os reinos
ao fundo do mundo.

       E assim sucedem-se, ao longo de todo este breve volume, as pequenas cápsulas de alumbramento, lances minimalistas de poesia não apenas cristã mas variada em sua temática, em suas cores, porém fulcralmente uma poesia imantada, que aponta de maneira indelével para o norte, para o Cordeiro.

       A boa poesia é como a alta culinária, onde a pequena porção concentra uma profusão de surpreendentes sabores, um buquê de amoráveis aromas que podem fascinar até no prato (e tema) mais prosaico. É assim a poesia de JTP: culinária d’alma, capaz de envolver, satisfazer e elevar os paladares mais exigentes e experimentados.

A todos os leitores, bon appetit!

Sammis Reachers, editor

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segunda-feira, novembro 10, 2014

Quatro poemas de Júnior Fernandes

Rubens
QUANDO CRISTO MORREU
Trevas,
trovões,
um céu negro e soturno
flechado por relâmpagos,
o silêncio sombrio e sepulcral da consumação
e a ausência de tudo, exceto da dor,
anunciara que o fim havia chegado.
Quando Cristo morreu,
o inferno por um momento regozijou-se.
Mas o espetáculo da crucificação
e a coroa de espinhos
não conseguiram impedir o triunfo da ressurreição.
Quando Cristo morreu,
o homem encontrou a possibilidade de se reerguer.



QUANDO A NUVEM NEGRA CHORAR 
Lá, na profundidade da altura da montanha,
os exilados se conhecem.
Um dia – dizem eles – a nuvem negra vai chorar
e veremos o abismo das rosas de ouro.
Enquanto isso lembram de seu mundo
como névoas esquecidas por aqueles que os rejeitaram.
À noite eles cantam:
– O mundo não existe,
somos felizes ao ver as estrelas testificarem a glória de Deus.
Quando avistarmos o jardim,
as rosas de ouro exalarão o perfume eterno.


O TEU NÃO

Teu formão desce sobre as imperfeições de minha alma sozinha;
“Por quem os sinos dobram?”
O Teu não é um terrível trovão
na tempestade tenebrosa.
Quem bate à porta?
Ninguém.
O Teu não é um silêncio assustador.
Quem está no barco?
Ninguém.
O Teu não é o abandono no Getsêmani.
Quem caminha agora em Emaus?
Ninguém.
O Teu não é o cálice amargo que deve ser tomado;
O Teu não é o melhor que é incompreendido;
O Teu não é a graça que basta;
O Teu não...





TESTAMENTO
Se minha porção é a gota d’água,
trazida no bico de um colibri
para apagar o fogo infame da maldade,
Tua porção é regar o jardim da bondade,
que está sendo devassado por este fogo.
Tendo cada um o seu quinhão,
cabe-nos não neglicenciar  o Espólio
deixado na cruz do calvário.

Júnior Fernandes é advogado e professor de filosofia. É autor de O Sofrimento dos Filósofos (Ed. Biblioteca 24 Horas). Os dois primeiros textos fazem parte do livro (inédito) Trevas, Trovões e  Trovas: Escritos de uma noite escura. 

terça-feira, novembro 04, 2014

ADOLESCÊNCIA POÉTICA e DISCURSOS DAS CAUSAS PRIMEIRAS, livros de Francisco Carlos Machado para download gratuito


O poeta, escritor, teólogo e ambientalista Francisco Carlos Machado, meu dileto amigo e um profundo e combativo ativista das mais diversas e nobres causas (do combate à corrupção à literatura, da ecologia ao trabalho missionário) acaba de disponibilizar gratuitamente dois, isso mesmo, dois livros de sua autoria. 
O primeiro deles, o livro Adolescência Poética, que reúne seus primeiros versos, e que circulou anteriormente em formato impresso, e agora surge como e-book; e o livro Discursos das Causas Primeiras, que reúne uma coleção de discursos proferidos por Francisco Carlos nas mais diversas ocasiões, sobre temas variados como a amizade, a cidadania e a causa ambiental, onde ele derrama toda a sua verve e nos deixa entrever a nobreza de seu caráter, a um tempo sensível e combativo.

Sobre o excelente Adolescência Poética, reproduzo parte da Apresentação do mesmo, que tive o prazer de redigir:

" (...) Francisco Carlos é poeta da entrega e da fraternidade, que faz versos como quem irmana(-se), como quem abraça. Sem as incongruências do medo, pois poeta nascido pronto, ciente e senhor de seu ofício e sina, e disposto a pagar o preço, seja da incompreensão, seja da exarada sensibilidade, essa doce fratura exposta que avança ferindo-se pelos penedos e espinhais, mas sem arrefecer, pois aprendeu com o Rabi a trazer sempre pronta a outra face, a mão estendida, o ombro oferto e a arma da palavra, para dar voz ao sem fala.
       Aqui o poeta desnuda-se, desvela-se em sua humanidade sincera, que anseia por plenitude. Sua escrita ternamente confessional revela um autor de profundas raízes holísticas, um cristão ‘cuca-aberta’ – se espiritualmente um cidadão dos céus, poeticamente um cidadão do mundo, de todas as cidades e pátrias. De todos os homens.
       Toda adolescência é uma pequena saga. Colorida não apenas pelo épico, mas pelas caudalosas cores do lírico e também do trágico. A um tempo balão de ensaios e palco de definições do que é/será o homem. É ainda na adolescência que se aprende a dimensionar a solidão, e o poeta o fez, cumpriu também essa dura lição de casa. Este trecho singular do magnífico poema Asas para Voar, revela o poeta que desceu até a raiz ontológica de seu ofício (há quem morra, velho em versos, sem consegui-lo) e descobriu-se, ao descobrir o que é, e o porquê, da poesia:
“Como queria ter asas para voar,
mas não posso voar,
não nasci de mãe cisne.
Nasci gente.”

       Neste Adolescência Poética somos viajantes privilegiados, passageiros d’alma deste amorável poeta em seus descobrimentos, seus continentes e ilhas interiores, sua contrição e sua explosão, seu choro e seu sorriso que marca e contagia a quantos o conhecem. "



Livro: Adolescência Poética
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Livro: Discursos das Causas Primeiras
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sexta-feira, outubro 31, 2014

Três poemas de Rafael Lima

Stephen B Whatley

CRISTO

Um dia andávamos todos espalhados.
Cada um seguia seu caminho.
Não havia companhia e nem ajuda.
Era um triste destino, seguirmos sozinhos.

Mesmo desunidos, muitos tinham esperança.
Esperavam por algo novo e renovador.
A fé os mantinha firmes e seguros.
Eles esperavam a nova aliança,
Que seria Aquele vindo direto do SENHOR.

No tempo certo Ele veio,
Muitos o reconheceram e grandiosamente o amaram
Mas outros só lhe deram o desprezo.
Eles não criam em Seus sinais e maravilhas
E ainda buscavam pegá-Lo em armadilhas.

Mas que força tem o homem perante o SENHOR?
Que pode fazer contra DEUS, um pobre pecador?
Eles nada puderam fazer para detê-Lo.
JESUS andava, curava, ensinava, resgatava.
E a fé dos seus discípulos só aumentava.

Em meio aos de fé, um fraquejou.
E por poucos dinheiros ao SENHOR entregou
O Justo, o Filho do Homem, foi oprimido!
Como ovelha inocente foi levado ao matadouro.
E lá recebeu um terrível e doloroso castigo.

Não havia n’Ele condenação alguma.
Os reis que O julgaram, não encontraram culpa.
Mas os “sábios” do povo não aceitaram
E por conta própria O crucificaram.

Naquela cruz foram pagos os pecados,
Os meus, os seus, de todos nós.
Com sacrifício extremo, a culpa expiada.
E as almas dos pobres pecadores foram salvas.

Depois da dor e do sofrimento, veio à morte.
Naquele momento algo grande aconteceu.
A terra tremeu, o véu se rasgou,
Inquietação em todos os lugares,
O firmamento se escureceu.
Chorou-se muito por aquele hebreu.



Após três dias, DEUS o resgatou.
Com seus anjos fez a pedra rolar
Seu filho unigênito e querido ressuscitou.
E aos seus se mostrou e se deu a reconhecer
Assim os fiéis viram o poder de DEUS.

Que para sempre a morte venceu.


Submissão

Neste mundo DEUS está agindo,
Para nós, Ele não precisa se explicar.
Ele é o SENHOR DEUS Todo-Poderoso,
E somente a própria vontade fará.

Por mais que achamos algo errado,
Nunca devemos ir a DEUS para questionar,
Somos somente meros pecadores,
O que DEUS faz, devemos aceitar.

O SENHOR é supremo em toda decisão,
Ele não age segundo o nosso coração.
DEUS faz o que é melhor para Seu plano,
DEUS não faz conforme o desejo humano.

Ele é o DEUS que sabe de tudo,
O SENHOR que governa todo o mundo.
Nem sempre o que ocorre vai nos agradar,
Mas como bons filhos, nossas cabeças vamos abaixar.

O SENHOR gosta de nossa submissão,
Assim mostramos a Ele a obediência no coração.
Negando a nossa própria vontade,
Confiando n'Aquele em que está a verdade.


Mudança vinda de DEUS

Somos todos pobres e pecadores,
Vivíamos guiados por outros senhores.
Estávamos atrás de outros valores.
Não importando se nos causavam dores.

Por muito andamos por caminhos errados.
Se DEUS estava aqui, íamos pelo outro lado.
Seguindo coisas estranhas e inúteis.
E buscando nossas vaidades fúteis.

Mesmo assim o SENHOR nos amou,
Uma mudança em nossas vidas, Ele determinou.
O Teu Santo Espírito veio sobre nós para transformar.
As nossas vidas tortas, começaram a se consertar.

As nossas vidas foram aos poucos mudando,
Em novas pessoas fomos nos transformando.
O que era velho e sujo, não mais ficou,
Uma nova pessoa, com novo desejo, brotou.

Nasce um convertido ao SENHOR,
Fruto do verdadeiro e puro amor.
Amor forte para que pudesse resgatar,
Um amor capaz de minha alma salvar.

Visite o blog do autor: http://poesiasparadeus.blogspot.com.br/

sábado, outubro 25, 2014

A poesia cristã de Carlos Nejar




Eva
A culpa toda
me reveste
e eu nua.

Ouvi o que
a serpente
sussurrava
e caí.
Com Adão.

Nos desterrou
o anjo.
Era o conhecimento
de um pudor
ou soluço.

O que pode
a dor,
se nenhum traço
nos julga?

Com medo,
escondo a face.
E opaco, nulo
o riso. Tudo
é desconhecido
fora do paraíso.



Bem-aventuranças

Bem-aventurados os pássaros,
as nuvens, as madrugadas.
Bem-aventurados são os pássaros.
Para eles
todos os dias
são todos os dias.
Reais, antigos, tutelares.
Nós, coitados,
não sabemos
que fazer deles.
Queremos os dias
limpos, arrumados
com cadeiras.
Felizes os pássaros.
O mar é um animal feliz
e as coisas imaginadas
alí existem.
Bem-aventurados são os pássaros:
não pensam em liberdade
porque voam nela
sem idade.
Nós, coitados,
nem sabemos
que fazer dela.
A nós, o cisco,
o mar baixo.
Arriadas velas,
as ações com elas,
os pensamentos arriados.
Jamais o ir adiante
até onde
a resistência manda
que se ande,
até onde
perca seu comando
e vá seguindo
quando
for chegando.
Bem-aventurados os pássaros!

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