sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Dois poemas de Elienai Cabral Jr.

Juan Gris, 'Still Life with Violin and Glass

SE

A descontinuidade redentora de duas letrinhas, quando portuguesas, "se". 
Antecedendo frases, suscitando aberturas. 
A dúvida que pode nos livrar da tolice de uma certeza inerte.
De um medo infantil.
De uma alegria leviana.
De uma desistência precipitada.
De um orgulho tóxico.
Da pobreza,
solidão,
perversidade,
panaceia.
Acrescente "se" às conclusões de sua história. Coragem.
Os próximos passos contarão com um pouco mais de ansiedade.
Serão um tanto quanto inseguros.
Mas nós seremos mais amorosos? Perdoaremos mais?
Imaginaremos mais,
acusaremos menos, morreremos menos?
Uma boa dúvida amplia horizontes.
Despede-nos de cavernas.
Catalisa ressurreições.
Aprofunda a vida, ao menos.



O pastor das palavras

Só existe palavra porque há amor,
abertura nervosa para o mundo.
Se falamos é porque o outro nos afeta,
a vida nos fere,
o mundo nos reivindica.
A palavra é incontornável.
Viver é dizer.
Falamos tanto que o silêncio palavreia,
os gestos dizem,
os olhares brigam,
o toque sussurra poesia na pele.
Se sonhamos,
é porque antes de soltar-se na vida,
a palavra é imaginação.
Antes de nos tirar o fôlego e dizer que Deus é amor, João nos surpreende,
afirma que desde sempre Deus é palavra,
logos,
revelação,
manifestação,
testemunho,
sua glória é dizer-se entre nós.


segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Revista AMPLITUDE chega à segunda edição - Leia agora

    


    É com felicidade que apresentamos o segundo número de AMPLITUDE. Durante estes seis meses de espera ou gestação desta segunda edição, pudemos auferir a boa recepção que a nossa primeira edição obteve entre autores e leitores. Isso nos incentiva a avançarmos na jornada, cientes da seriedade e importância da iniciativa de reunir em revista, o melhor da produção literária poética e ficcional, além de outras expressões artísticas levadas a cabo por cristãos protestantes e de outras filiações.

      Vamos ao panorama da edição: Na seção Hot Spots, a sapiência de um dos maiores nomes da mística cristã, Ramon Llull (Raimundo Lúlio). Em Galeria, a obra da pastora, artista plástica, grafiteira, quadrinista e ativista cultural Lya Alves. Na seção Cinema, destacamos a realização da terceira edição do Festival Nacional de Cinema Cristão.

      Esta edição chega inaugurando diversas novas seções. Uma delas é Poeta em Detaque, iniciando com a obra da pernambucana Júlia Lemos.

      Inaugurando a nossa seção Especial, de enfoque temático, temos como mote Estêvão para tempos de perseguição, uma mini-antologia reunindo as percepções de seis excelentes poetas acerca de nosso protomártir, sobre quem nos é oportuno refletir em tempos de recrudescimento das perseguições aos cristãos ao redor do globo.

      E as artes visuais ganharam ainda mais destaque: além da já citada seção Galeria, e de HQ (História em Quadrinhos), inauguramos mais uma seção, Luminares, destacando, em singelas inserções, a pintura, ilustração ou desenho de nossos concidadãos de Reino. E a Fotografia chega com força na seção Álbum, abrindo as portas com a obra de William Rosa.

      Os contos, como diria meu pai, estão de lascar: Iniciamos com Eça de Queiroz, na seção Jardim dos Clássicos, apresentando o conto O Suave Milagre. Seguimos com o humor e a precisão de Judson Canto (A Morte da Encrenqueira); a dramaticidade soberba de J.T.Parreira (O Poeta do Salmo Exilado); Florbela Ribeiro relatando (em O Hóspede) sobre o príncipe que tinha por norma se hospedar junto aos pobres; Lindolfo Weingärtner num conto terno e luminoso (O canto do sabiá preto); Joed Venturini com o impactante & metafísico A Troca; este vosso humilde escriba, num conto de terror(!?), A Matilha Fantasma; e concluímos com nossa saudosa e maravilhosa Myrtes Mathias, num conto com um toque arrebatador (O Menino).

      O objetivo de AMPLITUDE é fomentar a reflexão e a expressão, AMPLIAR visões, entreter com valores cristãos, comunicar a verdade e o belo e estimular o engajamento artístico/intelectual entre nossos irmãos. Convidamos todos a compartilhar esta publicação gratuita, seja por e-mail e nas redes sociais, e ainda em blogs e sites, livremente.

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quarta-feira, janeiro 20, 2016

Dois poemas de Oseas Heckert


Que o Bom Pastor seja seu modelo
Pela porta do curral,
mal entra o pastor,
suas ovelhas o conhecem.
Reconhecem sua voz
quando as chama pelo nome,
e o seguem imediatamente.
Prudentemente, vai à frente
aos pastos verdejantes,
antes que tenham fome.
Se vem o lobo, não hesita,
– enfrenta e afugenta.
Se alguma se cansa,
carrega-a em seu braço;
e na hora do mormaço,
mansamente as conduz
às águas serenas.
Se há alguma “fujona”,
com sua vara a educa.
Se alguma se machuca,
com óleo a alivia.
Se alguma se extravia,
vai atrás, até que a traz
pra junto do conjunto.
Se alguma se emaranha
e se arranha num espinho,
com seu cajado a apanha
e põe de volta no caminho.
Por que como um pastor
Deus se retrata?
Pelo zelo com que trata
a cada um de nós,
que atende à Sua voz.
Por Sua identidade:
Deus é amor.

Descarto Descartes
Penso, logo existo.
Sinto, logo subsisto.
Descarto Descartes
ou o senso da vida é misto?

TVidiota, assisto.
Grife, logo bem-visto.
iPhono, logo benquisto.
Ibope logo conquisto.

A vida é apenas isto?
Duvido, logo desisto.
Ouvi do amor incondicional, de Cristo.
Olvido o amor e, irracional, resisto.

Pela graça eficaz contrafeito,
pré-conceito revisto,
creio, logo persisto.

Em resposta-de-amor-opcional, logo insisto:
de todo o meu coração
de toda a minha psique, 
de toda a minha força,
amo a Deus.

Aceito a proposta-de-amor-interpessoal:
Ama teu semelhante,
diverso ou adverso de ti,
como a ti mesmo.

Amo, logo coexisto.
Visite o blog do autor: http://poetrainee.blogspot.com.br/
Leia também outros poemas no Blog da Ultimato

sexta-feira, janeiro 08, 2016

O Pequeno Livro dos Mortos, novo livro de contos de Sammis Reachers


O Pequeno Livro dos Mortos (Contos). 
Editora Letras e Versos, 2015. 
96 Págs.

    Seja bem-vindo a esta pequena jornada, amigo leitor. Aqui o humor, o terror, o conto de espionagem, a ficção científica, a fantasia borgeana e a crônica (sub)urbana, com seu traçado agridoce e enlameado de poesia e violência, são os vagões, os gêneros desse comboio, desse trem de memória e invenção de que valho-me para visitar e emoldurar meus mortos. Ficção e realidade interpenetradas, perdição e redenção amalgamadas num caudal de cores de inusitada composição, para falar dos muitos mortos que perdi e ganhei, amigos e não-amigos, reais e imaginários, e suas mortes físicas mas algumas vezes também espirituais. Mortos que precisam de uma voz, prontos para revelar suas histórias de crueza e beleza, e de um como que encantado desencanto.
    
     Um passeio pelas horas da verdade: momentos de encontros com (ou retornos para) o Cristo, ressurreições, chamados cumpridos; mas também desencontros, desvios e desdita. E o trem tragicômico dos mortos e vivos avança: há provocações sutil ou escancaradamente acondicionadas em cada vagão, como passageiros clandestinos. Prontos para abraçar e inquietar, com seu amor ou seu aço, aqueles que se aproximarem...

      A morte é o fato inelutável, a certeza primeva de todo homem - e que por isso mesmo deve ser refletida e ruminada, jamais encoberta, ‘esquecida’ - uma premência filosófica que levou Heidegger, talvez o maior filósofo do século XX, a definir o homem fundamentalmente como ser-para-a-morte.

      Mas ao pensarmos na morte, precisamos atentar para seu caráter duplo, para o fato de que, se cremos na mensagem cristã, há duas mortes possíveis: uma carnal, inevitável neste aqui-e-agora que vivenciamos, e uma espiritual e eterna, representada pelo afastamento de Deus, afastamento este perfeitamente evitável. Cabe sempre lembrar das palavras de Deus em Deuteronômio 30:19: Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente...”. Sim, eis a boa-nova, a raiz e o fundamento do cristianismo: a todo homem está franqueada a esperança de não passar pela segunda e verdadeira morte, e galgar à eternidade re-unido com Deus, esperança radical advinda na pessoa e pelo sacrifício vicário do Homem-Deus de Nazaré, Jesus Cristo, expressa em João 11:25,26: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”

      No mais, para além de religiosidades (Cristo é uma pessoa, nunca uma religião) e do tema algo lúgubre da morte, eis aqui apenas um livro de ficções, que expressa uma cosmovisão, sim, mas não tem objetivos proselitistas de qualquer monta: se ele puder entretê-lo, amigo leitor, ao lhe permitir devanear, sorrir ou assustar-se, se emocionar e solidarizar, ou talvez, ainda que por meros milímetros, expandir sua forma de perceber, terá cumprido seu humilde papel de livro.

O livro custa apenas R$ 20,00 , já com as despesas de envio (Correio) incluídas. Para saber como adquirir, escreva para: sammisreachers@ig.com.br

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Três poemas de Alysson Alves


A busca da Verdade

A verdade é concreta
A verdade é completa
Com a verdade se dá início 
Está concluído desde o princípio
É objetiva, sem meia voltas
Traz direção,
Abre e fecha comportas
Fácil seria de bajulação em bajulação
Evitar a pressão
Então
A cada dia, minuto, segundo
Ouvir os aplausos do absurdo
Diríamos entre nós, já não existe mais
Morta está
Portanto, quem a viu não esquece jamais
Marcante encontro, poderosa missão
A preservar
Intrínseca
A verdade vale porque é
Foi ontem, é hoje, amanhã torna a ser
Insubstituível, relevante
Demonstra poder
A verdade dói
Não apenas dói, traz cura
Constrói
É a base e o teto
Justiça em seu sentido completo
A verdade grita
E quem diria
Nos últimos dias
A Verdade estaria
A procura de pessoas dispostas
Dispostas a fazer um pacto com ela


Ter

Tantos negócios 
Pouco espaço na mente
E muito estresse

Prefiro ficar com a mente tranquila
Com o pouco que tenho aproveitar a vida
E muito bom ânimo, disposição e alegria
Desfrutar de tantas oportunidades que me deu o dia

Quatro letras, infinitas possibilidades
Tantas formas de ser ou ter

Vida


O Convite

Quem não se desafia, não confia
Definha
Estagnado fica
Sejamos iguais a Noé
Não havia chuvas, não havia trovão
Preparou o barco
Viveu em fé, não ilusão
Em meio a uma geração perversa
Estamos construindo a restauração
A integridade de um trouxe dos céus o juízo
A integridade de muitos trará dos céus o Leão
Não temos medo Rei, pode vir
Estaremos te esperando com jejum e oração
Quem não se desafia, não confia
Definha
Estagnado fica
Na vida com Deus não há volta
Ficar parado é caminhar para trás
Desafie-se
Mergulhe no Rio da Vida
O convite está aberto
Todos sabemos
O desafio traz inquietude
Ele também sabe
Confie, mergulhe no Rio da Vida
A confiança te levará à plenitude
A correnteza te levará à plenitude
Venha!

Visite a página do autor no Facebook: 

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Poema ao que sofre, de Joed Venturini


Ao Que Sofre

Aqui estou novamente olhando o céu
Outras vezes me encontras-te andando ao léu
Em meio à solidão, em meio à dor
Eu tento ver o teu amor
Então percebo que nunca foste embora

Tenho tentado ter vitórias, mas é fardo pesado

Reconheço que minhas glórias são coisa do passado
Teu Espirito ainda repousa em mim
Tua palavra mesmo o disse assim
Então porque me sinto tão desanimado?

No entanto, olho a cruz de dor e vejo tua tortura

E Tu crucificado ali em forçada postura
Recordo toda aquela maldição
O sofrimento, a vergonha, a perdição
Que Tu passaste para me dar vitória

Aquieto a alma e ouço Tua voz falando com dulçor
Como brisa suave que vem me aliviar a dor
Também tiveste uma hora de terrível escuridão
Mas logo veio o dia alegre da ressurreição
E Tu vences-te a morte
Percebo que o ar sufocante deste nosso mundo
Pode nos querer derrubar, levar ao fundo
Mas depois da tempestade o sol aparece
Enche o céu de brilho e nos aquece
Tal como tua paz eterna

O choro pode durar uma noite longa e penosa
mas a alegria virá pela manhã sempre radiosa
E aprendo a louvar em meio à dor
Em ti posso ser mais que vencedor
E celebrar a cada dia a Vida!


Sebastião! (o que todo pastor precisa)

A noticia chegou cedo numa manhã clara e fria
Durante a noite morrera o irmão Sebastião
O jovem pastor suspirou fundo do trabalho que antevia
Tinha que preparar o funeral, organizar a reunião

Era pastor há pouco tempo, seria seu segundo sepultamento
Conhecia mal a igreja, as pessoas, o falecido
Tinha dificuldade em pensar no que dizer naquele momento
Na verdade aquilo tudo o deixava aborrecido

Não sabia quem fora o tal Sebastião, de avançada idade
Era apenas mais um idoso que ostentara o título de crente
Aos olhos do pastor representava pouco na comunidade
Acreditava que o funeral arrastaria pouca bem gente

Mas eis a surpresa, o pequeno templo transbordou
Não cabia dentro todo o povo que queria entrar
As janelas se encheram logo que o interior lotou
Parecia que toda a cidadezinha queria participar

O pastor atônito ia ficando mais e mais nervoso
O velhinho que morrera era naturalmente estimado
Mas o que falar a respeito desse idoso
Desconhecido para ele, mas de tantos bem amado?

Bem na hora do funeral começar um ancião entrou
Todos o cumprimentaram com afeto e emoção
O pastor apesar de jovem logo reparou
Toda a alegria do povo, toda a comoção

O ancião chegado era da igreja o antigo pastor
Amado pelo povo, respeitado pela idade
De fala mansa, jeito humilde, respeitador
Ao jovem ministro se apresentou com gravidade

Fora pastor naquele local por mais de trinta anos
Conhecia bem aquele que agora morto, juntava a multidão
Não queria atrapalhar do nobre pastor os planos
Mas poderia dar uma palavra sobre o velho Sebastião?

O jovem pastor viu ali uma intervenção salvadora
Estava livre de uma difícil situação
Deu ao ancião o lugar e a palavra redentora
E quedou-se em silêncio e admiração

O pastor maduro liderou com simplicidade
Nada de pompa, nada de ostentação
Mas cada palavra transpirava sinceridade
Todos apreciavam com a devida gratidão

Sebastião foi um exemplo de vida, e de serviço
Dizia o ancião visivelmente emocionado
Sempre o conheci amigo leal e crente submisso
Pronto para o trabalho e para estar a nosso lado

Estava presente em cada culto e reunião
Mesmo cansado, doente ou com dificuldade
Podia-se ver sua dedicada consagração
Numa vida honesta e de integridade

Mas o que mais me marcou como pastor
O que tornou Sebastião tão querido e especial
Foi o gesto repetido sempre com fervor
E que mostrava um carinho todo paternal

Sebastião se chegava a mim muito gentil
No fim de cada culto ou atividade
Se inclinava com um gesto varonil
E cochichava em meu ouvido com gravidade

Necessita de mim para alguma coisa pastor?
Estou pronto para o que de mim precisar
Sabe que estou sempre a seu dispor
Basta dizer, pedir ou mesmo ordenar

E cada vez que dele algo solicitei
Prontamente o realizou com toda disposição
Desde o trabalho físico que precisei
Até viagens ou mesmo algum serão

No meu ministério ao longo da vida
Tive todo tipo de ovelhas ao meu cuidado
Umas me deram não pouca lida
Outras me trouxeram o coração atribulado

Mas Sebastião foi sempre motivo de louvor
Um servo de Deus pronto a servir
Enchia-nos a alma de dulçor
Permitia-nos um suave e descansado dormir

Por tudo isso nesse dia de saudade
Nos despedimos chorando mas com confiança
Sebastião deixou o mundo e sua maldade
Está hoje no céu, nossa alegre esperança

Louvamos por sua vida, por seu exemplo
Agradecemos a Deus por sua companhia
E se agora através de um véu contemplo
Logo o verei na glória cheio de alegria

Assim terminou o culto e a multidão dispersou
O caixão foi colocado em seu devido lugar
O pastor ancião à sua procedência voltou
O pastor jovem se colocou a meditar

Tão pouco sabia do velhinho que morrera
Tão grande fora sua rápida presunção
Que por não ser grande o personagem que falecera
Nada haveria para dele falar na reunião

Mas que verdade aprendera nessa oportunidade
Que lição tirara de todo o evento
Não se deve julgar com brevidade
O que se desconhece até o momento

E antes da noite terminar o jovem pastor
Pôs-se de joelhos em humilde oração
Clamou sincero ao seu grande Senhor
Põe em minha vida pelo menos um Sebastião.

Visite os blogs do autor:
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quarta-feira, dezembro 23, 2015

J.T.Parreira: (Poemas) Do Natal


POEMA DE NATAL NO GUETO

As barbas do pai Aarão não poderiam
destilar os óleos do bálsamo antigo. Nas bocas
já não cabiam salmos, nem gritos, o silêncio
era um tesouro contido, no gueto de Varsóvia.

No início ainda dobravam o azul
dos lençóis, faziam contas ao zloty 
guardado sob as ripas do soalho. 
Passavam pelas ruas porque havia
sempre alguém a vender alguma coisa
sem o brilho do passado, quando se podia
abrir a janela e cantar para a rua e
desenrolar os rolos da Torah em alta voz.

Não há uma estrela de natal, fria
com filamentos de lume por dentro, ninguém
festeja em torno de um presépio, outra metáfora
alimenta a fé, a Hanukkah, as luzes
e as sombras, caem em silêncio 
pelas faces dos judeus.


PARA ENCONTRAR A CRIANÇA ENVOLTA EM PANOS

Deus pôs no céu a mão a guiar uma estrela
No meio de lugar nenhum
Que é o espaço indecifrável da noite
A luz era o único lugar visível, não se via
A mão que a guiava, foi com surpresa
Que a viram estacionar os anos-luz
Sobre um discreto estábulo de Belém.


O ANÚNCIO DO ANJO A MARIA

“Quem és tu, ó moça, e que parte é esta que Deus
Em ti se reservou” - Paul Claudel

Nunca terás outro dia assim, não temas
aceitá-lo como a virgem que aceita
o toque profundo 
da leveza da luz no útero, O divino a ser gerado. 
Deus pode revelar assim o seu Amor
feito carne, sangue e ossos, no seu Filho.


NOCHEBUENA

Tenho de admitir que as minhas rótulas não suportam
senão penosamente as subidas, o peso da leveza do meu corpo
nas duas pernas já não se debruça facilmente 
para apanhar o que os dedos não enlaçam, nem sobe
já aos bancos para colocar cristais na árvore de natal. A última
estrela que pus, perdeu-se no buraco negro dos tectos
das casas que habitei, mais uma
Noite de Natal com os netos por Continentes divididos.

domingo, dezembro 20, 2015

O Mistério do Natal - Gilberto Celeti lança livro com poemas natalinos


Uma das datas mais significativas no ocidente é a do nascimento de Jesus Cristo. Embora seja uma data ato marcante, com o passar dos anos, vários elementos foram introduzidos na comemoração desta festividade.
O que é o Natal? Qual é o mistério deste acontecimento que precisa ser revelado e conhecido? Neste livro, Gilberto Celeti nos relembra o significado e a beleza do Natal através de suas poesias.
O livro é um lançamento da Bunker Editorial, e você pode adquiri-lo AQUI.

quarta-feira, dezembro 16, 2015

A TRAJETÓRIA DO INDIVÍDUO, livro de Fábio Ribas para download gratuito

      

      
      O poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz dizia que o homem é tempo, perpétuo movimento. Tal assertiva ocorreu-me ao avançar pelas linhas do livro A Trajetória do Indivíduo, de Fábio Ribas. Um livro onde o dito e o não dito interpenetram-se, trabalham juntos pela construção do Sentido, ou para que o leitor colha o sentido que, num jogo de chiaroscuro (para usar um termo das artes plásticas) goteja das metáforas e parábolas. E o mi(ni)stério da parábola aqui aflora como a relva dos campos, sobeja e farta; a psico-saga do autor em busca do Sentido é narrada através de madura poesia e prosa poética larga e prenhe de conotações, em voz cujo timbre lembra o Zaratustra nietzschiano, ou o André Gide de Frutos da Terra; mas, enquanto tais autores empreenderam o afastamento de Deus, equivocando-se em direção ao abismo, Ribas avança em caminho inverso, em busca de Redenção, escalando através de brumas e intempéries o cume da transcendência.
      Em sua jornada o autor vale-se do método socrático, dialógico, abraçando/confrontando interlocutores, que são como estágios de sua peregrinação. A linguagem velada/parabólica dá o tom de suas elucubrações, são os enigmas/signos de sua batalha mental e espiritual. E é gratificante acompanhá-lo em seu avanço, sua ascensão do vale do ateísmo ao monte da transfiguração, à sarça onde o Único Deus se revela aos olhos da finitude humana.
      Um livro assaz singular dentro de nossa literatura poética cristã, que surge para enriquecer o bastião de nossas letras.

Sammis Reachers

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sábado, dezembro 12, 2015

Três poemas de Carla Júlia

Ivan Guaderrama

Calvário

Vamos juntos
Subamos as escadas do vento
E deixemos os pés sobre as águas.
Vamos logo
Sobre a terra passar o teu cheiro
As tuas túnicas
deixemos às almas dos homens.


Tomé

Tive a voz presa
Em grilhões de dúvidas
Da cruz, o silêncio
Entrou em sintonia com a fé
Só me sobram estes olhos
Para crer nos cravos da Palavra.


As bodas

Diz-me oh espelho
Que vêem os teus olhos
Drenarei o meu corpo nestas saias?
Ou me lançarei nos braços

Do meu vestido de neve?


Carla Júlia é moçambicana, e reside na cidade de Maputo.


terça-feira, dezembro 08, 2015

Quando o céu desceu à terra, poema de Natália Fonseca


Quando o Céu Desceu à Terra

Naquela noite longínqua
brilhou no céu uma estrela diferente
de uma luz misteriosa… resplandecente
que conduziu os magos a Belém.
A caminho, mal podiam esperar pelo milagre
pois era chegado o tempo.
Os seus corações vibraram.
E, quando se aproximaram com os seus ricos presentes…
Oh! Maravilhosa visão… deitado na manjedoura
Jesus, o divino Infante.
Sorria… o pequenino tesouro de sua mãe.
Veio ao mundo p’ra cumprir Sua missão,
pois foi da vontade de Deus
que ligasse a terra ao céu.
Cresceu em graça e bondade, fez-Se homem
Batalhou pela salvação das almas…
Animou os abatidos, os pobres e rejeitados
E, com amor infinito, perdoou muitos pecados.
As Suas mãos estavam sempre dispostas a curar:
Tocando os cegos, estes viam,
os coxos logo corriam.
Esteve com alguns a sós… escutou seus corações…
Falou da água da vida
e do novo nascimento
alimentou multidões.
Teve sede, fome, sentiu cansaço…
Foi tentado e resistiu.
E, nessas horas de angústia,
ajoelhado, em oração suplicava,
todo o poder de Seu Pai.
Mas… pobre mundo cruel e obstinado…
que rejeitou a Luz e a Vida
cravando o Seu dolorido corpo numa cruz.
Longo foi o Seu sofrimento.
Coberto de feridas e de dor
em breve entregava o Espírito.
E, naquele olhar onde a Vida se extinguia
sangrando, ainda abraçou o mundo
no maior ato de amor.
Mas Jesus, o Salvador ressuscitou… Ele está vivo!
Ele está aqui conosco mesmo nesta hora.
Aleluia!
Portanto é urgente que tu passes a mensagem
de que JESUS EM BREVE VAI VOLTAR!
Já disseste aos teus amigos?
Vai! Corre a dizer aos teus vizinhos!
Eu quero estar preparada… e tu, meu querido amigo?
Sim! Eu quero herdar a promessa e eu sei que ela é real!
Foi Jesus Quem nos contou…
Que emoção vou sentir… ao subir ao céu com o meu Senhor!
Diz-me: verdadeiramente: já imaginaste o Céu?
Oh sim! O céu é o melhor lugar do mundo!
Tu aí nesse lugar… vem conosco… vem lá estar!
Ah… e se Jesus hoje te convidar…
dá-Lhe a tua mão e aceita!

Abraça a eternidade!

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